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Quando quem deveria dar o bom exemplo…
… faz feio, a gente deveria parar pra pensar sobre as nossas escolhas. Patético.
Dia de otário…
Ontem decidi finalmente tomar coragem e acordar mais cedo pra enfrentar uma tarefa ingrata: ir no DETRAN buscar o documento do meu carro que havia ficado pronto semana passada. Sai de casa às pressas pra chegar lá o quanto antes pra resolver de uma vez essa história.
Trânsito bom, paciência intacta. Cheguei rápido e como já sabia o caminho das pedras (malandro que sou aprendo rápido) fui direto no guichê onde se lia, em meio a um monte de outras placas, “Retirada de Documento”, onde uma funcionária animada como fosse o dia de seu enterro (uhum, cara de zumbi) me atendeu sem me olhar, pedindo o protocolo e meu RG, seguido de um efusivo “- Senta e espera”. Obediente e seguidor de protocolos que sou, sentei e esperei.
Legal que eles procuram otimizar ao máximo o serviço DELES, e bolam processos de trabalho incríveis! Ao invés de atender as pessoas individualmente, eles juntam vários protocolos e apenas então buscavam os documentos, o que me custou mais ou menos uns 20 minutos. Paciência trincada.
Então ouço uma voz chamar “- Cristina Monteiro dos Santos!”. Cheguei no guichê e me dirigindo ao zumbi que havia me atendido expliquei em poucas palavras: ”- O nome é Cristiano, não Cristina”. Paciência rachada.
Zumbi com cara de quem mijou nas calças: ”- Aaaaai, escrevi errado… senta que te chamo de novo”. Paciência quebrada.
“- Quanto tempo?”
“- Duas horas…”
Paciência estilhaçada, aos cacos, espalhada pelo chão. “- Moça, não posso esperar por duas horas!”
“- Ou você pode voltar amanhã”.
Nada mais óbvio… O que eu faço da vida além de ficar pra baixo e pra cima, me divertindo horrores indo naquele lugar lindo e aprazível, com gente bem intencionada, bonita, simpática e eficiente? Afogado em raiva, cuspindo vingança e respirando maldade: “- Então eu volto amanhã!”
Antes que venha algum defensor falar qualquer coisa, eu tenho certeza que há dentro os membros dessa pouco valorizada e controversa classe, uns poucos que têm sangue correndo em suas veias e praticam suas atividades de forma correta. Mas pela experiência, diria que são poucos. Bem poucos. Tão poucos que devem ser marginalizados pelos colegas zumbis.
Isso me leva a tantas reflexões, poderia seguir tantas linhas de raciocínio, várias delas incluindo ou terminando com o uso de métodos medievais de tortura, mas creio que uma imagem fala mais do que mil palavras:
Melhor dizendo, vida de otário.
O Japão por um japonês
Recebi hoje um link pra um vídeo muito bacana. O tema é esse mesmo, o Japão, e trás fatos muito interessantes, alguns bem perturbadores, sobre o povo japonês, sua cultura, economia e outros. Apesar dele estar traduzido para o inglês (aqui a versão original em japonês), foi feito por um japonês, o Kenichi Tanaka. Sem mais delongas:
Policial norte-americano usa taser em garota de 10 anos
Sabe aquele aparelho de choque usado pra derrubar as pessoas sem causar ferimentos (muito) graves, conhecido como “taser”? Então, os norte-americanos parecem ter tomado meeeeeesmo gosto pela coisa! Tanto que usam em crianças, idosos e mulheres sem muito critério.

O mais novo caso foi de um policial que usou o brinquedo nessa terça-feira contra uma garota de 10 anos de idade no Arkansas. A mãe chamou a polícia pra levá-la, pois a miliante estava descontrolada e não queria obedecer a mãe que a havia tomar banho. Percebendo que ela não ia se acalmar, a própria mãe autorizou o policial a usar a arma que segundo ele, foi usada para dar “um breve choque nas costas” da pobre menina.
A história se desenrolou de ontem pra hoje e o pobre e prudente policial foi afastado.
Agora falando sério… Se isso não fosse extremamente trágico, seria cômico! Essa p*rra de arma não letal (ou menos que letal), tá virando moda e lá já virou até tema de estampa de camiseta, “Don’t tase me, bro!”.
Mano, isso deve doer até a alma! Dá só uma olhada nessa outra matéria, onde um cara se voluntaria a tomar um desses e precisa ser carregado após a brincadeira. Agora imagina o efeito numa garota de 11 anos… É gente sem noção!
Undo (Ctrl+Z) no caso do vestido da Uni(tali)bam
E não é que voltaram atrás da decisão de expulsar a garota da Unibam? Ai, ai, ai, viu? Sem comentários… Depois de blábláblá e um pouco de pressão da opinião pública, a reitoria resolveu revogar a decisão do conselho que havia expulso a moça. Óia só a nota:
O reitor da Universidade Bandeirante – Uniban Brasil, de acordo com o artigo 17, inciso IX e XI, de seu Regimento Interno, revoga a decisão do Conselho Universitário (CONSU) proferida no último dia 6 sobre o episódio do dia 22 de outubro, em seu campus em São Bernardo do Campo. Com isso, o reitor dará melhor encaminhamento à decisão.

Então tá, né? Valeu Jacaré banguela pela fotim e Geledés pela notícia.
Aluna da Unibam expulsa? Tudo errado, hein?
Me vejo na obrigação de falar algo a respeito, porém serei breve. Essa história da garota da Unibam que foi expulsa por usar “vestimentas inadequadas”, tem pra mim três componentes bizarros. Nem vou entrar no mérito da roupa propriamente dita, não domino a arte da moda (tenho até uma consultora pra me ajudar com essas coisas).
Primeiro: comportamento de massa. Histeria coletiva. Se haviam 10 pensando no meio daquela massa de moralistas era muito. Alguém começou a gritar “sua p*ta!!!” e logo formou-se um coro. Se havia uma norma sobre vestimentas na faculdade, é obrigação da faculdade fazer o código ser cumprido. Os corajosos alunos não tinham nada a ver com nada.
Segundo: sabe aqueles filmes sobre terrorismo onde os governantes dizem algo como: “não podemos negociar com terroristas, se não todos vão pensar que podem levar vantagem com isso”. Então, eles estão certos. Imagina se isso vira moda? Alguém vai pra faculdade de touca de banho porque acha bacana ir pra faculdade de touca de banho. E você com isso? Aí aparece um que acha aquilo imoral e começa a gritar “louca de touca louca! olha a louca de touca!!!”; logo aparece mais 10, mais 100… E rapidinho temos uma faculdade inteira se mobilizando pra punir a louca da touca.
O fato é que a faculdade deu pros baderneiros o poder de decidir o destino da moça e o de quem mais eles quiserem. Tomara que ninguém perceba!
E terceiro: … Esqueci. Vítima de DADIA.
Pequeno manual da civilidade
A revista Veja publicou na edição dessa semana uma matéria extremamente interessante intitulada Pequeno manual da civilidade, que fala a respeito desse tema polêmico, difícil de entender e mais difícil ainda de botar em prática. Citando uma parte da matéria que traduz grande parte do que eu penso sobre o assunto:
Hoje, a HONRADEZ pode ser mais relacionada à fidelidade aos próprios princípios ou ao próprio eu. Ou, no popular, ter vergonha na cara. É por isso que o tribunal da própria consciência continua a pesar mesmo quando se alega que “todo mundo faz”, a começar dos “caras lá de cima”, então “que mal tem” em levar a avozinha para passar na frente na fila de comprar ingresso, desrespeitar a precedência na hora de pegar uma vaga no estacionamento do shopping ou deixar uma toalha guardando lugar o dia inteirinho na espreguiçadeira da piscina disputada?
Pois é… Um outro exemplo bizarro são aqueles que se escandalizam com a corrupção que rola no palácio do planalto mas pagam “seguro” sem pestanejar na hora de tirar a carteira de motorista pra garantir a vista grossa do avaliador na prova. Ou então o motorista sabido que anda pelo acostamento, ou corta fila pra fazer conversão porque “tô atrasado pra levar minha tia-avó Bernarda pra fazer piercing no umbigo”, ou para em fila dupla na frente do shopping porque “é só um instantimm!”… São exemplos que não acabam mais.
O fato é que, no curto prazo, é difícil ser cidadão. É difícil porque tem que ter visão, tem que ter consciência. Tem que ter vergonha na cara! Muito mais fácil é cada um se preocupar consigo mesmo e tirar vantagem pra sí, mesmo que seja só pra pagar 9 ao invés de 18 pratas no cinema. Mesmo que depois essa vantagem fatalmente se transforme em ônus pro resto da humanidade… “Ao menos eu salvei o meu… Uhuuuu!!!”
Ô desgraçado esse jeitinho brasileiro!





