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Nós não vamos pagar nada, é tudo free
Sexta-feira ruim. Saio do trabalho com a cabeça cheia. Ligo o computador, abro o Twitter pra distrair o cérebro. Vejo no Trending: Worldwide: CALA BOCA SYLVESTER STALLONE. “Que diabos?”, pensei… “Mais uma campanha brasileira no topo?” Fui atrás pra saber do que se tratava.
Depois de alguma pesquisa, descubro o motivo da histeria coletiva (gosto desse termo). O danadinho do Sly (como se auto-denomina Sylvester Stallone pros amiguinhos), ontem (dia 23) durante um painel sobre seu novo filme na Comic-Con 2010, Os Mercenários (rodado no Rio de Janeiro em abril do ano passado), deu o seguinte depoimento: “Gravar no Brasil foi bom, pois pudemos matar pessoas, explodir tudo e eles (os brasileiros) diziam obrigado“. “Diziam ‘obrigado, Obrigado, e tome aqui um macaco para levar para casa’!“.
Não sei a ordem das pérolas, mas ele também falou a respeito do B.O.P.E (Batalhão de Operações Especiais), dizendo “Os policiais de lá usam camisetas com uma caveira, duas armas e uma adaga cravada no centro; já imaginou se os policiais de Los Angeles usassem isso? Já mostra o quão problemático é aquele lugar“.
Nos sentimos ofendidos, a reação foi rápida. Os twitteiros (me incluo) se encarregaram de fazer uma avalanche de mensagens com o tal CALA BOCA SYLVESTER STALLONE. Atacaram o perfil do ator no Facebook, criaram comunidade no Orkut e o escambau. Depois da péssima repercussão, Stallone enviou um pedido de desculpas, dizendo “Eu me desculpo sinceramente com o povo brasileiro e com a equipe de filmagem. Todas as minhas experiências no Brasil foram fantásticas e eu disse a meus amigos para filmarem lá. Ontem, eu estava tentando fazer uma graça e ela não saiu à altura. Não tenho nada mais do que respeito pelo grande país que é o Brasil“.
E assim ficou provada mais uma vez a nossa capacidade de mobilização quando nos sentimos abusados. Capacidade essa que mostramos só quando os outros resolvem fazer com a gente o que a gente tá acostumado a fazer por conta. Que curioso…
Brasileiro é um bicho esquisito. A gente tem mania de tratar estrangeiro (todos, não só norte-americano) com bandeja de prata. Queremos fazer bonito pra mostrar nosso valor e acabamos fazendo papel de capacho. Brasileiro não tem auto-estima, a gente se acha tão ruim que nos expomos ao ridículo. Vejo eles nos tratando igual a gente se trata, as atitudes deles refletem as nossas próprias. Não adianta a gente se vender barato mostrando bunda e peito no carnaval, vender turismo sexual e prostituição a rodo e de qualidade e depois pedir: “na cara não, moço.”
Sabe aquela história?
Eles: Sua namorada é feia que dói!
Nós: Não fala assim dela que eu vou ficar triste.
Eles: Mas ela é feia mesmo…
Nós: Eu vou chorar.
Eles: Tá bom, ela é bonita.
Então, é assim.
Como alimentar o mundo?
Esse é um vídeo (antiguinho diga-se de passagem) extremamente didático que fala sobre o problema da desnutrição, que assola mais de 850 milhões de pessoas em todo o planeta (seja, 1/7 da humanidade).
Mas nem tudo são trevas, afinal o nome do vídeo é “How to feed the world?” e não “Prepare for starvation.”
BIG BANG BIG BOOM By BLU
Postei há um tempo um outro trabalho dessa turma, que sabe muito bem o que faz. Esse é o ultimo trabalho deles, que segue a mesma linha de fazer stop motion usando paisagens urbanas, lixo, entulho e tudo mais do que eles puderem dispor. O tema é bem contundente, vale cada um dos 10 minutos.
Dia de otário…
Ontem decidi finalmente tomar coragem e acordar mais cedo pra enfrentar uma tarefa ingrata: ir no DETRAN buscar o documento do meu carro que havia ficado pronto semana passada. Sai de casa às pressas pra chegar lá o quanto antes pra resolver de uma vez essa história.
Trânsito bom, paciência intacta. Cheguei rápido e como já sabia o caminho das pedras (malandro que sou aprendo rápido) fui direto no guichê onde se lia, em meio a um monte de outras placas, “Retirada de Documento”, onde uma funcionária animada como fosse o dia de seu enterro (uhum, cara de zumbi) me atendeu sem me olhar, pedindo o protocolo e meu RG, seguido de um efusivo “- Senta e espera”. Obediente e seguidor de protocolos que sou, sentei e esperei.
Legal que eles procuram otimizar ao máximo o serviço DELES, e bolam processos de trabalho incríveis! Ao invés de atender as pessoas individualmente, eles juntam vários protocolos e apenas então buscavam os documentos, o que me custou mais ou menos uns 20 minutos. Paciência trincada.
Então ouço uma voz chamar “- Cristina Monteiro dos Santos!”. Cheguei no guichê e me dirigindo ao zumbi que havia me atendido expliquei em poucas palavras: ”- O nome é Cristiano, não Cristina”. Paciência rachada.
Zumbi com cara de quem mijou nas calças: ”- Aaaaai, escrevi errado… senta que te chamo de novo”. Paciência quebrada.
“- Quanto tempo?”
“- Duas horas…”
Paciência estilhaçada, aos cacos, espalhada pelo chão. “- Moça, não posso esperar por duas horas!”
“- Ou você pode voltar amanhã”.
Nada mais óbvio… O que eu faço da vida além de ficar pra baixo e pra cima, me divertindo horrores indo naquele lugar lindo e aprazível, com gente bem intencionada, bonita, simpática e eficiente? Afogado em raiva, cuspindo vingança e respirando maldade: “- Então eu volto amanhã!”
Antes que venha algum defensor falar qualquer coisa, eu tenho certeza que há dentro os membros dessa pouco valorizada e controversa classe, uns poucos que têm sangue correndo em suas veias e praticam suas atividades de forma correta. Mas pela experiência, diria que são poucos. Bem poucos. Tão poucos que devem ser marginalizados pelos colegas zumbis.
Isso me leva a tantas reflexões, poderia seguir tantas linhas de raciocínio, várias delas incluindo ou terminando com o uso de métodos medievais de tortura, mas creio que uma imagem fala mais do que mil palavras:
Melhor dizendo, vida de otário.
O Japão por um japonês
Recebi hoje um link pra um vídeo muito bacana. O tema é esse mesmo, o Japão, e trás fatos muito interessantes, alguns bem perturbadores, sobre o povo japonês, sua cultura, economia e outros. Apesar dele estar traduzido para o inglês (aqui a versão original em japonês), foi feito por um japonês, o Kenichi Tanaka. Sem mais delongas:
Policial norte-americano usa taser em garota de 10 anos
Sabe aquele aparelho de choque usado pra derrubar as pessoas sem causar ferimentos (muito) graves, conhecido como “taser”? Então, os norte-americanos parecem ter tomado meeeeeesmo gosto pela coisa! Tanto que usam em crianças, idosos e mulheres sem muito critério.

O mais novo caso foi de um policial que usou o brinquedo nessa terça-feira contra uma garota de 10 anos de idade no Arkansas. A mãe chamou a polícia pra levá-la, pois a miliante estava descontrolada e não queria obedecer a mãe que a havia tomar banho. Percebendo que ela não ia se acalmar, a própria mãe autorizou o policial a usar a arma que segundo ele, foi usada para dar “um breve choque nas costas” da pobre menina.
A história se desenrolou de ontem pra hoje e o pobre e prudente policial foi afastado.
Agora falando sério… Se isso não fosse extremamente trágico, seria cômico! Essa p*rra de arma não letal (ou menos que letal), tá virando moda e lá já virou até tema de estampa de camiseta, “Don’t tase me, bro!”.
Mano, isso deve doer até a alma! Dá só uma olhada nessa outra matéria, onde um cara se voluntaria a tomar um desses e precisa ser carregado após a brincadeira. Agora imagina o efeito numa garota de 11 anos… É gente sem noção!
Undo (Ctrl+Z) no caso do vestido da Uni(tali)bam
E não é que voltaram atrás da decisão de expulsar a garota da Unibam? Ai, ai, ai, viu? Sem comentários… Depois de blábláblá e um pouco de pressão da opinião pública, a reitoria resolveu revogar a decisão do conselho que havia expulso a moça. Óia só a nota:
O reitor da Universidade Bandeirante – Uniban Brasil, de acordo com o artigo 17, inciso IX e XI, de seu Regimento Interno, revoga a decisão do Conselho Universitário (CONSU) proferida no último dia 6 sobre o episódio do dia 22 de outubro, em seu campus em São Bernardo do Campo. Com isso, o reitor dará melhor encaminhamento à decisão.

Então tá, né? Valeu Jacaré banguela pela fotim e Geledés pela notícia.
Pequeno manual da civilidade
A revista Veja publicou na edição dessa semana uma matéria extremamente interessante intitulada Pequeno manual da civilidade, que fala a respeito desse tema polêmico, difícil de entender e mais difícil ainda de botar em prática. Citando uma parte da matéria que traduz grande parte do que eu penso sobre o assunto:
Hoje, a HONRADEZ pode ser mais relacionada à fidelidade aos próprios princípios ou ao próprio eu. Ou, no popular, ter vergonha na cara. É por isso que o tribunal da própria consciência continua a pesar mesmo quando se alega que “todo mundo faz”, a começar dos “caras lá de cima”, então “que mal tem” em levar a avozinha para passar na frente na fila de comprar ingresso, desrespeitar a precedência na hora de pegar uma vaga no estacionamento do shopping ou deixar uma toalha guardando lugar o dia inteirinho na espreguiçadeira da piscina disputada?
Pois é… Um outro exemplo bizarro são aqueles que se escandalizam com a corrupção que rola no palácio do planalto mas pagam “seguro” sem pestanejar na hora de tirar a carteira de motorista pra garantir a vista grossa do avaliador na prova. Ou então o motorista sabido que anda pelo acostamento, ou corta fila pra fazer conversão porque “tô atrasado pra levar minha tia-avó Bernarda pra fazer piercing no umbigo”, ou para em fila dupla na frente do shopping porque “é só um instantimm!”… São exemplos que não acabam mais.
O fato é que, no curto prazo, é difícil ser cidadão. É difícil porque tem que ter visão, tem que ter consciência. Tem que ter vergonha na cara! Muito mais fácil é cada um se preocupar consigo mesmo e tirar vantagem pra sí, mesmo que seja só pra pagar 9 ao invés de 18 pratas no cinema. Mesmo que depois essa vantagem fatalmente se transforme em ônus pro resto da humanidade… “Ao menos eu salvei o meu… Uhuuuu!!!”
Ô desgraçado esse jeitinho brasileiro!




